sábado, 23 de agosto de 2025

Conitec rejeita inclusão de canetas emagrecedoras no SUS

 

Foto arquivo/Agência Brasil

Medida foi recomendada ao Ministério da Saúde pelo impacto financeiro


(AGÊNIA BRASIL) A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou ao Ministério da Saúde não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a liraglutida e a semaglutida, princípios ativos de medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O pedido de incorporação ao SUS foi feito pela Novo Nordisk, farmacêutica fabricante do Wegovy, que tem como princípio ativo a semaglutida.

Em nota, o ministério informou que as decisões da Conitec sobre a incorporação de medicamentos ao SUS “consideram as melhores evidências científicas disponíveis, abrangendo eficácia, segurança e análises de custo-efetividade”. Segundo a pasta, no caso da liraglutida e da semaglutida, o impacto financeiro estimado é de R$ 8 bilhões anuais.

O comunicado destacou ainda dois acordos de parceria firmados entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS para a produção da liraglutida e da semaglutida. Os acordos estabelecem a transferência de tecnologia da síntese do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e do medicamento final para Farmanguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz.

“Cabe ressaltar ainda a importância estratégica da ampliação da oferta de medicamentos genéricos. Essa medida estratégica estimula a concorrência, contribui para a redução de preços, amplia o acesso da população a tratamentos de qualidade e fortalece as condições para a incorporação de novas tecnologias ao SUS”, concluiu o ministério.

Controle

Desde junho, farmácias e drogarias começaram a reter receitas de canetas emagrecedoras.  Além da semaglutida e da liraglutida, a categoria inclui ainda a dulaglutida, a exenatida, a tirzepatida e a lixisenatida.

A decisão por um controle mais rigoroso na prescrição e na dispensação desse tipo de medicamento foi tomada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril e entrou em vigor 60 dias após a publicação no Diário Oficial da União.

Em nota, a agência informou que a medida tem como objetivo proteger a saúde da população brasileira, “especialmente porque foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas pela Anvisa”.

Uso indiscriminado

A retenção do receituário de canetas emagrecedoras era defendida por entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

Em nota aberta, elas citam que o uso indiscriminado desse tipo de medicamento gera preocupações quanto à saúde da população e ao acesso de pacientes que realmente necessitam desse tipo de tratamento.

“A venda de agonistas de GLP-1 sem receita médica, apesar de irregular, é frequente. A legislação vigente exige receita médica para a dispensação destes medicamentos, porém, não a retenção da mesma [receita] pelas farmácias. Essa lacuna facilita o acesso indiscriminado e a automedicação, expondo indivíduos a riscos desnecessários”, destacou o documento.

Uema prorroga para 29 de agosto prazo para inscrições no PAES 2026

Foto Reprodução
 

O pagamento da taxa de inscrição poderá ser efetuado até o dia 1º de setembro. 


(MARANHÃO) A Universidade Estadual do Maranhão (Uema) prorrogou para 29 de agosto o prazo de inscrições para o Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (PAES 2026). prorrogação do prorrogação tem como objetivo ampliar o acesso ao vestibular da UEMA. Ao todo o PAES 2026 está oferecendo 5.980 vagas, sendo 5.130 para cursos da Uema e 850 para a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul).

Os candidatos interessados podem se inscrever exclusivamente pelo site: https://sigconcursos.uema.br/

O pagamento da taxa de inscrição, no valor de R$ 85,00, poderá ser efetuado até o dia 1º de setembro. A Uema destaca que não é aceito pagamento via Pix, sendo válido apenas o boleto gerado pelo sistema.

Para realizar a inscrição, os candidatos devem acessar o sistema, preencher o formulário com seus dados pessoais, escolher o curso desejado, selecionar a cidade onde deseja realizar a prova e gerar o boleto bancário, caso não seja isento do pagamento da taxa de inscrição.

A Uema orienta todos os candidatos a lerem atentamente o Edital nº 57/2025-GR/UEMA, disponível no site oficial do PAES (https://www.paes.uema.br/), para evitar erros e garantir a efetivação da inscrição dentro dos critérios estabelecidos.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Turismo Náutico em Raposa cresce 100% em 2025, segundo dados da Setur-MA

 

Foto: Divulgação

(SÃO LUÍS) O turismo náutico em Raposa, município da região metropolitana de São Luís, registrou um aumento de 100% nos embarques no segundo trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2024. Os dados divulgados pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA) foram coletados pelo Observatório do Turismo do Maranhão (Obstur-MA).

Conforme o monitoramento que teve como base informações da Secretaria Municipal de Turismo, de abril a junho, 13.976 pessoas embarcaram em passeios náuticos em Raposa. No mesmo período de 2024, o número foi de 6.991 turistas, praticamente a metade do registrado neste ano. Esse crescimento coloca a cidade em destaque no setor turístico maranhense e evidencia o fortalecimento do destino.

A secretária de Estado do Turismo, Socorro Araújo, pontuou que o aumento reflete a consolidação de Raposa como polo de turismo náutico.

“Esses números demonstram que as ações de promoção e investimento em infraestrutura turística do Governo do Estado, juntamente com a Secretaria de Turismo do Maranhão, estão gerando resultados concretos. O crescimento nos embarques nos mostra o potencial de Raposa como destino turístico de referência e revela o impacto positivo do turismo na economia local”, afirmou Socorro Araújo.

Empresários locais que oferecem os passeios acompanham de perto esse avanço. A proprietária da embarcação Deusimar Tour, Márcia Moreira, que completou 10 anos de atividade, comemora a procura pelo serviço.

“Aqui na cooperativa, ao todo, são 37 embarcações disponíveis para atender os visitantes. A Deusimar Tour comporta até 50 pessoas e, além dos passeios que oferecemos, mantemos parcerias com empresas de hospedagem, restaurantes da cidade e serviços de transfer. Dessa forma, conseguimos proporcionar uma experiência completa e de qualidade para todos os turistas que visitam o município”, explicou Márcia.

Além de consolidar Raposa como destino turístico de destaque, o aumento nos embarques contribui para a geração de empregos e fortalecimento do comércio na região.

 Crescimento semestral dos embarques

No comparativo por semestre, os embarques do primeiro semestre de 2025 somaram 24.176 pessoas a bordo, frente a 16.397 no mesmo período de 2024. Alta de 47,44%.

Entre os meses que mais se destacaram estão abril e maio: em abril, os embarques passaram de 1.513 em 2024 para 4.644 em 2025, aumento de 206,94%; já em maio, o número subiu de 2.299 para 4.702 turistas.

Terceira paciente transplantada de fígado na rede estadual recebe alta hospitalar

 

Waldinete Diniz Sousa (62), foi a terceira paciente a receber um transplante de fígado realizado pela rede estadual de saúde (Foto: Wellington Silva/Agência de Notícias)

O procedimento ocorreu no dia 25 de julho

(MARANHÃO) A maranhense Waldinete Diniz Sousa, de 62 anos, foi a terceira paciente a receber um transplante de fígado realizado pela rede estadual de saúde. O procedimento ocorreu no dia 25 de julho e, nesta quinta-feira (21), ela recebeu alta do Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), em São Luís, após apresentar evolução satisfatória no quadro clínico.

O transplante, realizado pela equipe do HCM, reforça a ampliação e consolidação do programa estadual de transplantes, que vem garantindo mais oportunidades de vida a pacientes que aguardavam na fila nacional.

Em dezembro de 2024, o HCM se tornou o primeiro hospital da rede estadual de saúde credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar retirada e transplante de fígado e rim, conforme a Portaria nº 2.363. Desde então, já foram realizados sete transplantes na unidade, sendo quatro renais e três hepáticos.

O hospital conta com duas equipes especializadas: uma formada por urologistas e nefrologistas, e outra composta por hepatologistas clínicos e cirurgiões do aparelho digestivo. Essas equipes atuam em conjunto com a Organização de Procura de Órgãos (OPO-HCM) e com a UTI Transplante, a primeira especializada em pós-operatório de transplante do Maranhão.

Para Waldinete o momento é de esperança e recomeço. “Significa uma nova vida. Agradeço muito à equipe que cuidou de mim, aos médicos que fizeram um bom trabalho. Eu sempre acreditei que um dia seria possível e quando eu recebi a notícia foi uma grande alegria. Agradeço muito também à família que doou, pois eu estava morrendo e agora eu recebi uma nova vida”, disse a paciente ao deixar o hospital.

O coordenador da Central Estadual de Transplantes, Dr. Hiago Bastos, destacou o avanço que a realização de transplantes representa para a saúde pública no Maranhão. “Cada alta é a comprovação de que o programa de transplantes do estado está salvando vidas. Esse é um trabalho que envolve dedicação de muitas equipes e que só é possível graças ao fortalecimento da rede estadual e à solidariedade das famílias doadoras”, afirmou.

Com a alta de Waldinete, o Maranhão confirma o avanço na política estadual de transplantes, ampliando o número de procedimentos e garantindo atendimento especializado a pacientes que precisam.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

INMEQ-MA inaugura Laboratório de Combate à Fraude de Combustíveis e entrega vans laboratoriais

 

Foto divulgação

O Laboratório de Combate à Fraude de Combustíveis terá papel fundamental na proteção dos consumidores


(MARANHÃO) Com vista ao fortalecimento da fiscalização do setor de combustíveis. Foi  inaugurado nesta quarta-feira (20), o Laboratório de Combate à Fraude de Combustíveis e realizadas as entregas de duas vans laboratoriais de pré-medidos móveis, equipamentos que colocam o estado entre os mais modernos do país na proteção ao consumidor.

O equipamento será utilizado pelo Instituto de Metrologia e Qualidade do Estado do Maranhão (INMEQ-MA), órgão delegado do Inmetro, e marca um avanço na região Norte e Nordeste no enfrentamento a irregularidades no setor. 

A iniciativa fortalece a confiança da população, protege os direitos do consumidor e estimula um ambiente econômico mais justo e competitivo em todo o estado


Câmara aprova projeto contra adultização de crianças nas redes sociais

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

 

Texto obriga plataformas a adotarem medidas contra crimes na internet


(BRASIL)O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (20), em votação simbólica, o Projeto de Lei (PL) 2628/2022, que estabelece regras para proteção e prevenção de crimes contra crianças e adolescentes em ambientes digitais. É o chamado PL contra a "adultização" de crianças.  

De autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o projeto foi relatado na Câmara pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) e contou com o apoio de centenas de organizações da sociedade civil que atuam com a proteção das crianças e adolescentes no Brasil.

O texto aprovado é um substitutivo do relator. Apesar da proposta já ter passado pelo Senado, como houve mudanças na Câmara, o texto retornará para apreciação final dos senadores.

Uma das novidades do projeto aprovado na Câmara é a previsão de uma autoridade nacional autônima, entidade da administração pública que será responsável por zelar, editar regulamentos e procedimentos e fiscalizar cumprimento da nova legislação. A entidade deverá ser criada por norma própria e funcionará nos moldes da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Com 16 capítulos e 41 artigos, o texto obriga as plataformas digitais a tomarem medidas "razoáveis" para prevenir riscos de crianças e adolescentes acessarem conteúdos ilegais ou considerados impróprios para essas faixas etárias, como exploração e abuso sexual, violência física, intimidação, assédio, promoção e comercialização de jogos de azar, práticas publicitárias predatórias e enganosas, entre outros crimes.

Além disso, a proposta prevê regras para supervisão dos pais e responsáveis e exige mecanismos mais confiáveis para verificação da idade dos usuários de redes sociais, o que atualmente é feito basicamente por autodeclaração.

A matéria ainda disciplina o uso de publicidade; a coleta e o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes e estabelece regras para jogos eletrônicos, veda à exposição a jogos de azar. Em caso de descumprimento das obrigações previstas na lei, os infratores ficam sujeitos a penalidades que variam de advertência, multas que podem chegar a R$ 50 milhões, suspensão temporária de atividades e até a proibição definitiva das atividades no país.

"Não tenho dúvida que nossas crianças e adolescentes irão reconhecer o trabalho do Parlamento brasileiro em buscar um ambiente seguro nas redes sociais, no ambiente digital", celebrou o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), que pautou e comandou a sessão de votação da proposta.

Inicialmente combatido por grande parte da oposição no Congresso, o PL 2628 acabou ganhando adesões nesse campo após o relator acolher modificações na proposta, como a criação de uma agência reguladora autônoma - a ser instituída por lei própria - e a restrição sobre quem pode pedir remoção de conteúdo criminoso. Por isso, o PL, principal partido da oposição, retirou os destaques ao projeto para que a medida avançasse sem percalços no plenário.

"Hoje, as crianças do Brasil ganham. Do texto, foram retiradas todas as censuras que poderiam ter. A Câmara dos Deputados sempre vai lutar para que as crianças não sejam sensualizadas", afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do seu partido e um dos expoentes oposicionistas no Congresso.

"Nós mostramos hoje que, quando queremos, as nossas divergências ficam de lado e prevalecem o interesse e o bem comum. E o bem comum neste caso é a proteção dos direitos das crianças e adolescentes. Estamos protegendo uma geração inteira", destacou o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ).

Remoção imediata

Ponto central da proposta, a possibilidade de remoção imediata de conteúdos criminosos por parte das plataformas deve se dar a partir de um processo específico de notificação.

No artigo 29, que trata dessa questão, os fornecedores de produtos ou serviços de tecnologia da informação direcionados ou de acesso provável por crianças e adolescentes deverão proceder a retirada de conteúdo que viola direitos de crianças e adolescentes assim que forem comunicados do caráter ofensivo da publicação pela vítima, por seus representantes, pelo Ministério Público ou por entidades representativas de defesa dos direitos de crianças e adolescentes, independentemente de ordem judicial.

Na avaliação de especialistas, o projeto de lei adapta direitos que já estão previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas que não costumam ser aplicados nas redes sociais.

"O PL 2628 protege a liberdade de expressão e de imprensa, porque tem um rol muito restritivo de conteúdos que podem ser imediatamente removidos. São conteúdos de exploração sexual, pornografia, assédio, de incentivo a automutilação e golpes contra crianças e adolescentes. Opiniões, críticas e reportagens são mantidas, não se aplicam no PL", argumentou a deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP).

Para a parlamentar, o projeto é resposta histórica contra o estímulo à violência e à lucratividade indevida sobre a exposição de crianças no ambiente digital.

Comoção nacional

O assunto ganhou força depois do humorista Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, publicar um vídeo, no dia 9 de agosto, denunciando o influenciador paraibano Hytalo Santos por exploração de pessoas menores de 18 anos e alertando para riscos de exposição infantil nas redes sociais.

vídeo, que já tem quase 50 milhões de visualizações, teve enorme repercussão no país e mobilizou políticos especialistas, famílias, autoridades e organizações da sociedade civil em torno da aprovação de uma legislação protetiva para crianças e adolescentes na internet e redes sociais.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Câmara pauta projeto que regula redes sociais para crianças

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 PL nº 2628 ganha força após repercussão de vídeo do Felca


(BRASIL) Apoiado por centenas de entidades que atuam na proteção de crianças e adolescentes, o Projeto de Lei (PL) 2.628 de 2022 terá a urgência pautada nesta quarta-feira (20) na Câmara dos Deputados.

Deputados favoráveis ao texto defendem que o mérito da matéria seja votado ainda nesta semana. A oposição é contrária e promete obstruir a tramitação do texto por considerar que ele “viola a liberdade de expressão” e institui a “censura” ao criar regras para as big techs com previsão de multas em caso de descumprimento.  

Apelidado de ECA Digital em referência ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o texto obriga as plataformas digitais a tomarem medidas “razoáveis” para prevenir riscos de crianças e adolescentes acessarem conteúdos ilegais ou considerados impróprios para essas faixas etárias.

Além disso, o PL prevê regras para supervisão dos pais e responsáveis e exige mecanismos mais confiáveis para verificação da idade dos usuários de redes sociais, o que atualmente é feito basicamente por autodeclaração.

Em tramitação na Comissão de Comunicação da Câmara, o projeto pode ser levado direto ao plenário caso tenha a urgência aprovada. Como o texto já foi analisado pelo Senado, ele pode ir à sanção presidencial com mais agilidade.

Na semana passada, o relator Jadyel Alencar (Republicanos-PI) apresentou o parecer na Comissão dias após a repercussão do vídeo do influenciador Felca Bressanim Pereira denunciando a ‘adultização’ de crianças e adolescentes nas redes sociais.

Divergência

Criticado pela oposição, que costuma associar a criação de regras para o funcionamento do ambiente digital com censura, o texto vem sendo defendido pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

“É direito deles [oposição] obstruir. Eu pense que essa é uma pauta urgente da sociedade brasileira. Essa é uma pauta que eu penso que a Câmara dos Deputados tem que enfrentar, assim como o Senado Federal já enfrentou”, afirmou o deputado nesta terça-feira.

A líder do PL, deputada Caroline de Toni (PL-SC), por sua vez, classificou o PL 2628 como tentativa de censurar as redes sociais e informou aos jornalistas que foi procurada por representantes de plataformas digitais que alegaram “excesso de regulamentação”.  

“As leis já existem para punir. O que a gente precisa é melhorar o ordenamento jurídico e melhorar essa integração [das policias com as plataformas]. São medidas pontuais para facilitar e dar segurança jurídica, sem querer usar isso como pretexto para censurar a liberdade de expressão das redes sociais”, afirmou.

Regulação

líder do PSOL, Talíria Petrone (PSOL-RJ), argumentou que todos os setores no Brasil são regulamentados e não poderia ser diferente com as redes sociais.

“Essa é uma demanda da sociedade, que hoje vem nossas crianças serem desprotegidas de forma inadmissível. A extrema-direita quer proteger as big techs, que não desejam ser responsabilizadas. Tudo é regulamentado no Brasil. Por que as plataformas não vão ser?”, questionou.

Centenas de organizações da sociedade civil que atuam na área assinaram um manifesto em defesa do projeto 2628, incluindo o Instituto Alana, a Coalização Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Fundação Abrinq, diversas Pastorais da Criança, a Fundação Roberto Marinho, entre outras.

“A responsabilidade pela proteção integral de crianças e adolescentes é de todos: famílias, Estado e sociedade, incluindo as empresas. Famílias e Estado necessitam do compromisso inequívoco do setor empresarial com o Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirma carta assinada por 270 entidades da sociedade

Big techs 

Procurada pela Agência Brasil, a Meta (dona da Facebook, Instagram e Whatsapp) não se manifestou sobre o PL 2628 até o fechamento desta reportagem. Já o Conselho Digital, organização que reúne as gigantes da tecnologia Meta, Google, Tiktok, Amazon, entre outras, tem se manifestado pedindo alterações no texto. 

Quando o tema estava em tramitação no Senado, o Conselho Digital criticou o que chamou de obrigações excessivas. 

"O equilíbrio entre a remoção de conteúdos nocivos e a preservação da liberdade de expressão torna-se um ponto delicado. A imposição de obrigações excessivamente rigorosas às plataformas pode incentivar a remoção indiscriminada de conteúdos legítimos", disse a organização que representa, no Brasil, a maior parte das principais big techs em atividade.  


Veto alcança tribunais estrangeiros, mas não internacionais, diz Dino

 

Foto; Rovena Rosa/Agência Brasil

Vedação não alcança tribunais internacionais reconhecidos pelo país


(AGÊNCIA BRASIL)  O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu nesta terça-feira (19) novo despacho para esclarecer a decisão em que vedou a eficácia automática de leis e ordens judiciais estrangeiras no Brasil. Nesse documento, ela afirma que a determinação não alcança tribunais internacionais reconhecidos pelo país

Segundo Dino, a vedação não alcança “a jurisdição obrigatória de tribunais internacionais - uma vez reconhecida pelo Brasil - e os efeitos imediatos de suas decisões”

Salvo esse ponto específico, Dino afirmou que “em relação aos aspectos atinentes a leis estrangeiras e demais atos jurídicos estrangeiros, nada há a adicionar a título de esclarecimento, permanecendo íntegra a decisão” do dia anterior. 

Na segunda (19), Dino proferiu uma decisão segundo a qual as leis, decisões judiciais e ordens executivas provenientes de países estrangeiros somente podem produzir efeitos em território nacional se forem homologadas pela autoridade competente brasileira, de acordo com os respectivos ritos de cooperação internacional. 

“Trata-se de decisão que reitera conceitos básicos e seculares, destinada a proteger o Brasil - abrangendo suas empresas e cidadãos - de indevidas ingerências estrangeiras no nosso território”, escreveu Dino, nesta terça-feira.

O ministro esclareceu ainda que a decisão do dia anterior não vem inovar, mas apenas reitera o que diz a legislação e a Constituição.

“Trata-se de decisão que reitera conceitos básicos e seculares, destinada a proteger o Brasil - abrangendo suas empresas e cidadãos - de indevidas ingerências estrangeiras no nosso território”, escreveu. 

A decisão de Dino protege ainda contratos firmados ou bens que estejam no Brasil. A ordem foi proferida em ação aberta pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que acionou o Supremo contra municípios brasileiros que abriram ações diretamente na Justiça do Reino Unido contra mineradoras britânicas. 

O ministro escreveu que qualquer violação dessa determinação “constitui ofensa à soberania nacional, à ordem pública e aos bons costumes, portanto presume-se a ineficácia de tais leis, atos e sentenças emanadas de país estrangeiro”.

Lei Magnitsky

A liminar de Dino foi concedida no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impõe um tarifaço contra o Brasil e sanções a ministros do Supremo, em especial ao ministro Alexandre de Moraes, com base em leis norte-americanas. 

Moraes foi enquadrado pela Casa Branca na Lei Magnitsky, que prevê sanções econômicas contra violadores dos Direitos Humanos. Trump acusa o ministro de impedir a liberdade de expressão e promover uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político, com quem mantém afinidades ideológicas. 

Sem citar a lei norte-americana, Dino escreveu que a realidade tem mostrado “o fortalecimento de ondas de imposição de força de algumas Nações sobre outras”, e que por isso “na prática, têm sido agredidos postulados essenciais do Direito Internacional”. 

“Diferentes tipos de protecionismos e de neocolonialismos são utilizados contra os povos mais frágeis, sem diálogos bilaterais adequados ou submissão a instâncias supranacionais”, disse o ministro. 

Dino continuou afirmando que “nesse contexto, o Brasil tem sido alvo de diversas sanções e ameaças, que visam impor pensamentos a serem apenas ‘ratificados’ pelos órgãos que exercem a soberania nacional”. 

Apesar de não citar as sanções econômicas contra Moraes, que têm o potencial de bloquear a utilização de cartão de créditos com bandeiras dos EUA como Visa e Mastercard, por exemplo, Dino ordenou a notificação do Banco Central Banco Central; da Federação Brasileira de Bancos (Febraban); da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). 

“Transações, operações, cancelamentos de contratos, bloqueios de ativos, transferências para o exterior (ou oriundas do exterior) por determinação de Estado estrangeiro, em desacordo aos postulados dessa decisão, dependem de expressa autorização desta Corte, no âmbito da presente ADPF”, escreveu Dino. 

O ministro da escreveu ainda que qualquer cidadão brasileiro que se sinta prejudicado por imposição internacional pode acionar o Supremo diretamente, em busca de proteção. 

Dino convocou ainda uma audiência pública sobre o tema, cujo cronograma ainda deve ser divulgado. 


domingo, 17 de agosto de 2025

Espetáculo “Eu Capitu” oferece oficinas gratuitas para artistas, estudantes de teatro e produtores culturais em São Luís

 Miwa Yanagizawa, atriz e diretora de teatro / Foto divulgação

As oficinas fazem parte da programação da temporada em São Luís


(SÃO LUÍS) São Luís recebe pela primeira vez o espetáculo “Eu Capitu”, com texto de Carla Faour e direção de Miwa Yanagizawa, inspirado no clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis. As apresentações acontecem de 21 a 23 de agosto, no Teatro Sesc Napoleão Ewerton (Av. dos Holandeses, Condomínio Fecomércio).Como parte da programação da temporada em São Luís, serão realizadas duas oficinas no dia 22 de agosto, das 9h às 13h.

A primeira delas é a Oficina Petrobras Eu Outra, que será ministrada por Miwa Yanagizawa. A atividade vai propor a busca da construção de fricções entre narrativas pessoais e ficcionais a partir de objetos afetivos escolhidos pelas participantes. Voltada a artistas e estudantes de teatro, a atividade será realizada das 9h às 13h, na sala de dança do Sesc Deodoro . Inscrições no link https://forms.gle/5yTXVChqyhbmQzGz5.

Felipe Valle, produtor, gestor e consultor cultural, com MBA em Gerenciamento de Projetos pela USP / Foto divulgação


Miwa Yanagizawa é atriz, diretora de teatro, fundadora do AREAS Coletivo, onde destacam-se as seguintes criações: “Naquele dia vi você sumir, espetáculo feito em parceria com atores do Grupo Magiluth inspirada no livro “Eles eram muitos cavalos”, de Luiz Rufatto; “Plano sobre queda”, dramaturgia realizada em colaboração do coletivo com Emanuel Aragão e “Breu”, de Pedro Brício, que recebeu Prêmio Questão de Crítica de Melhor Direção e Iluminação e Prêmio APTR de Melhor Cenografia. Como atriz, atuou em diversos projetos da Rede Globo, entre novelas e séries, assim como, em filmes de longa e curta metragem.

A outra oficina é voltada para interessados em saber mais sobre os detalhes de uma produção executiva, como passos para a criação, planejamento e elaboração de um projeto cultural. A Oficina Petrobras da Ideia ao Projeto, com Felipe Valle, será realizada na Sala de Exposições do Prédio Fecomércio / Sesc / Senac, com inscrições gratuitas no link https://forms.gle/ZWjd3uA3UfRtSsHr6.

Felipe Valle é idealizador e diretor geral da peça “Eu Capitu”. Ele é diretor da Fomenta Soluções Culturais;  produtor, gestor e consultor cultural, com MBA em Gerenciamento de Projetos pela USP. Desenvolve projetos com foco em inclusão social e diversidade, com destaque para o projeto Sementes – Caminhos, para uma produção mais diversa, ciclo completo de formação em produção e gestão cultural voltado para agentes culturais não brancos. Com experiência em mais de 50 projetos de teatro, música e festivais, é responsável pela gestão de recursos e prestação de contas de grandes eventos como TriboQ Pride Festival (Rio de Janeiro, 2022), BudX (Rio de Janeiro, 2022) e as mostras de cinema Terry Gilliam – O Onírico Anarquista (CCBB RJ, BH e DF) e O Cinema de Tim Burton (CCBB RJ, BH e DF).

Sobre “Eu Capitu”

Em São Luís pela primeira vez, “Eu Capitu” terá apresentações nos dias 21, 22 e 23 de agosto, no Teatro Sesc Napoleão Ewerton (Av. dos Holandeses, Condomínio Fecomércio).

No dia 21, a sessão será exclusiva para estudantes da rede pública de ensino, às 15h. E nos dias 22, às 20h, e 23, às 19h, serão apresentações abertas ao público e gratuitas. No sábado (23), a sessão será acessível com recurso de audiodescrição, para pessoas com deficiência visual, e tradução em Libras, para pessoas com deficiência auditiva. A retirada de ingressos será pela plataforma Sympla no link https://www.sympla.com.br/produtor/teatrosescnapoleaoewerton.

O espetáculo vem como forma de alertar sobre o aumento nos casos de feminicídio. Para trazer a reflexão sobre esse tema, a obra lança mão de um olhar fantástico e atual para unir a ficção em cena à dura realidade das mulheres vítimas de violência.

“Eu Capitu” foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural e conta com recursos através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura. A peça já foi apresentada em Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, com lotação máxima, e depois de São Luís segue para Rio Branco, Porto Velho, Salvador, Fortaleza e Manaus.

Exposição de artista maranhense exalta identidade latina e ancestral

 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Thiago Martins de Melo expõe trabalhos feitos a partir de 2013


(SÃO LUÍS) Um dos nomes em ascensão da nova leva de artistas visuais brasileiros, prestes a completar 44 anos, o maranhense Thiago Martins de Melo inaugurou esta semana, em São Luís, sua primeira exposição individual.

A coletânea - batizada de Cosmogonia Colérica -, reúne 21 obras produzidas entre 2013 e 2025. Ela ocupa salas do Convento das Mercês e do Espaço Cultural Chão SLZ, que ficam no Centro Histórico de São Luís.  

Com curadoria de Germano Dushá - um dos curadores do último Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo —, a exposição abriga uma multiplicidade de linguagens, incluindo pinturas de grandes dimensões, esculturas, gravuras, vídeos experimentais e instalações realizadas por Thiago, transitando entre técnicas expressionistas e realistas.

Germano aponta alguns aspectos considerados no processo de escolha das peças da mostra que materializam a identidade do artista. Ele diz que “a ideia foi não exatamente criar uma exposição cronológica, mas, sim, que pudesse pegar um nervo, pudesse sintetizar os principais eixos espirituais, políticos e estéticos da trajetória de Thiago. Eu acho que o núcleo da obra é exatamente essa profusão de linguagens, formas e temas. E esse título - Cosmogonia Colérica - fala muito sobre criações, criação do mundo e sobre gênese, mas sempre com muita força, muita energia e carga, argumenta.

Os trabalhos aglutinam história, política, misticismo e espiritualidade. O título Cosmogonia Colérica aponta para essa conjugação entre criação e fúria, entre gênese e confronto materializando batalhas, ritos sincréticos e epifanias.

Vocabulário

“Pessoas que talvez nunca tenham ouvido falar do Thiago e que talvez não sejam tão próximas do campo da arte contemporânea. Eu acho que ele oferece uma riqueza de profundidade temática, conceitual, visual, formal, mas ele pode ter uma dimensão muito aberta, muito popular. Acho que é um trabalho de forte impacto visual, que traz imagens muito claras, muito fortes. [Algo que] consegue percorrer questões figurativas e abstratas, questões mais conceituais e  mais diretas, mais claras, literais até, de forma muito sensível, muito singular. De um jeito muito próprio. E é um artista de um vocabulário, de um repertório, de um universo tão rico, e que está sempre falando das questões humanas”, enfatiza.


Brasilia 07/02/2023 - Uma mulher é vista em silhueta observando a obra sobre drywall e quatro monitores de TV da série Teatro Nagô Cartesiano. A cruz que penetra Pindorama, do artista, Thiago Martins de Melo, na Exposição Brasil futuro
Mulher observa trabalho feito sobre drywall e quatro monitores de TV no Convento das Mercês - foto - Tomaz Silva/Agência Brasil

Thiago diz que as escolhas dos temas abordados no seu trabalho transmutam sua identidade, vivências e suas referências visuais, bem como pesquisas literárias sobre assuntos que quer materializar em suas obras. 

O artista diz que “vejo o meu trabalho a partir do lugar onde nasci, minha identidade está fincada na América Latina, na luz, nas cores, nas lutas e no respeito à ancestralidade. Nós somos um povo mestiço, por isso muitas narrativas espirituais, míticas e lendárias são fusões de narrativas europeias, indígenas e africanas com as mesmas histórias contadas de maneiras diferentes em muitas regiões. Também fui muito influenciado pela iconografia hermética e pela alquimia, assim como pelo tarô.”

Bagagem artística

Nascido em 1981, em São Luís, Maranhão, o artista vive e trabalha entre as terras ludovicenses, São Paulo e Guadalajara, no México. Ele abriu exposições individuais em várias cidades no Brasil como na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; no Museu Nacional da República, em Brasília; no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista; e na Fundação Joaquim Nabuco, no Recife.

Também participou de dezenas de exposições coletivas dentro e fora do país, com destaque para a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, 31ª Bienal de São Paulo,  primeira Bienal das Amazônias, a Bienal de Lyon, na França e a 12ª Bienal de Dakar, no Senegal, entre outras. 

Seus trabalhos integram coleções permanentes em museus voltados para a arte contemporânea em cidades como Miami, em Oslo (Fearnley Museum de Arte Moderna), o Masp e a Pinacoteca, em São Paulo; e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.